quarta-feira, 3 de junho de 2009

Ilusão Momentânea

Intérprete Eu não vi nem ouvi do Ipiranga Os sorrisos inocentes exclamando, Eu não vi a novela do comando Dramaturgos, com seus truques na manga, Não vivi esperando uma semana Com um sol diferente apontando, Não pensei no que estava amargando De repente ser um caldo de cana, Eu senti o poder da mente insana No sereno que vive nos enganando. Eu só vi um sonho intenso penetrando Na ilusão do sujeito dominado, Um raio vívido, ali se declinando Remetendo a momentos do passado O descaso no silêncio do convívio, Salve, Salve! a dureza do fascínio, Salve o homem e também a natureza Que o sistema vendeu sua beleza, Tire o nosso amor pela lerdeza Mesmo que isso nos traga um vazio. Eu não quero morar entre outras mil Pois a balança não vê a substância, Recorrer talvez a última instância È pior que um tiro de fuzil, Não me façam responder pelo Brasil Que é rico pra todos, menos pra mim, Se a riqueza é desse jeito assim A Europa está passando fome, Os americanos vendendo o que consome... Em berço esplêndido vejo o meu fim. Talvez eu não veja mais o lábaro Por vocábulo estrito e limitado, Sou descendente daqueles "bárbaros" Que fazia a família dos sagrados, Que não teve a glória do passado, Que não teve também opinião, Que perdeu para alguém a mãe gentil, Foge a luta por ver o céu anil Numa estranha e vil transmutação Terra e futuro acalmam o Brasil... JOELSON ARAÚJO

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